VIAGEM AO PANTANAL

Um Novo Mundo

Havia ali uma cachoeira e abaixo dela formava-se uma enorme piscina natural de águas rasas e limpas com areia ao fundo, onde as crianças poderiam brincar seguras. Além disso, à noite, dormiríamos com o som das águas rolando pelas pedras. Estava ótimo! (…)

(…) Percorremos uma trilha em meio às rochas por algumas centenas de metros. A caminhada foi ficando cansativa, além da distância que já havíamos percorrido, agora a trilha começava a ficar íngreme e escorregadia, pois nesta parte já havia certa umidade nas rochas o que as deixava de tal maneira. Logo conseguimos transpor esses obstáculos e chegamos a um grande platô. A natureza ali era majestosa, exuberante, a visão da paisagem que aquele local alto proporcionava era maravilhosa, podia-se avistar no horizonte uma imensidão de lagos, pássaros e ilhas de mata fechada. Enquanto estávamos ali, observamos um riacho que nascia em uma lagoa bem ao centro da plataforma rochosa. Quando observei tudo aquilo, expressei-me:
- Uau! Valeu mesmo cada gota de suor para a escalada até aqui. Além de belíssimo o local, ainda dá para tomar um banho relaxante em águas quentes.
Ele sorriu muito e disse:
- Esse riacho que vocês veem é de águas normais, aliás, essa água é até bem gelada.
E continuou a gargalhar só que agora os outros estavam também a rir e tirar sarrinhos convidando-me a entrar e provar um bom banho de água “quente”.
Comecei a rir também.
Fui, com cuidado, me aproximando da margem da lagoa para ao menos colocar o dedo em suas águas e ver o quão gelada ela seria. Logo constatei que era mesmo uma água muito fria.
Registramos várias fotos inclusive da bela vista que aquela pequena colina nos proporcionava e então iniciamos a descida pelas centenas de metros em direção aos carros de onde prosseguimos o caminho acompanhando o nosso guia pelas estradas.
Pouco mais adiante comecei a ouvir ao fundo o som de uma cachoeira e após uma curva na estrada, estávamos diante daquele riacho que cortava a fazenda, só que neste local havia uma cascata derramando grande quantidade de águas em seu leito.
Paramos para apreciar e ele nos relatou:
- Aquela cascata que estão a observar agora, na verdade é o mesmo riacho cuja nascente vocês suaram para conhecer. As águas que descem pelo riacho acima são oriundas da fonte de águas termais – disse ele.
Seguimos então por mais meia hora de carro até chegarmos ao local da antiga formação vulcânica. Aliás, toda aquela área até agora era uma enorme formação vulcânica, só que naquele ponto havia deixado resquícios mais concretos, pois de outra forma então, como haveria ali aquele límpido e quente riacho de águas termais?

(…) e após isso me dirigi ao estábulo à procura de um cavalo bem mansinho para fazer um passeio no fim da tarde. Com a resposta afirmativa de que ali havia esse animal, confirmei que por volta das dezessete horas, lá estaria. Eu só tinha o tempo de ir ao chalé, pegar a câmera fotográfica e retornar rapidinho.
Como estávamos em horário de verão, daria tempo de fazer um passeio agradável antes do anoitecer. Cheguei ao curral, desci do carro e quando estava adentrando a porta, veio saindo um cavalo de um porte bonito, alto, caminhando lentamente, firme, todo majestoso passando a sua cabeça bem próxima ao vão da porta. Pensei comigo: “será que é esse?”
Mas logo que o animal passou por inteiro, levantou-se alguém que estava abaixado ao lado do pescoço do animal. E era nada menos que a encantadora mulher.
Cumprimentei-a e da mesma maneira fui retribuído e ainda com aquele sorriso e meigo olhar.
Durante a breve conversa, indaguei qual seria a direção mais indicada para quem desconhecia a fazenda, e ela, com aquele jeitinho meigo, se propôs a me acompanhar na cavalgada.
Nossa! Aquilo tudo que estava se passando, aquela mulher, meiga, querida, carinhosa no jeito de tratar, com todas as características da mulher que eu gostaria de ter a vida toda ao meu lado, estava ali agora perto de mim, e ainda iria me acompanhar em um passeio a cavalo em meio à natureza!
Parecia um sonho ou coisa do destino encontrar alguém assim em uma simples viagem de férias ao pantanal.